
Meus amigos:
Ocorreu um fato esta semana aqui em Santa Catarina, onde um e-mail foi disparado em nome de uma mãe de aluno de um tradicional colégio da classe A catarinense. Neste e-mail, ela narra um ato de violência sexual que uma menina de 13 anos teria sofrido por parte de 3 colegas, todos de 14 anos e estudantes do mesmo colégio. Ainda não se sabe a veracidade desse fato, porém o que de mais grave existe no conteúdo do tal e-mail é o fato de que dos três meninos, um seria filho de um empresário do setor da comunicação e outro seria filho de um delegado de polÃcia, fatos estes que justificariam a ausência total de alarde social de de mÃdia como ocorreria em qualquer outra situação semelhante.
Esta estória, que pode muito bem ser história, me leva a refletir a respeito de um dos fundamentos de vida que considero dos mais importantes para qualquer ser humano: disciplina.
Fui aluno do colégio em questão, lá nos idos do final dos anos 70 e metade dos anos 80, quando aquela era uma instituição de ensino respeitadÃssima por sua qualidade e disciplina imposta pelos padres jesuÃtas.
Os anos 80 eram anos complicados de se entender para quem olha de fora.
Até o ano de 1985, o Brasil era regido por um ditador de ordem militar, e tinha uma face de medo constante. De 1964 até pouco antes do final da ditadura, muitos pais perderam seus filhos naqulo que alguns chamam até hoje de “revolução”, mas que foi apenas um golpe. Naquele tempo, escutávamos e assistÃamos apenas aquilo que os militares permitiam, filtrados pelo famoso departamento de censura federal. Quem não respeitasse, era xilindró mesmo, isso quando não rolava uma torturazinha e um sumiço básico. Tem pai e mãe procurando o filho até hj.
Os anos seguintes foram marcados por manifestações culturais e polÃticas que foram “a cara” desta geração. Nascia o rock nacional impulsionado pelas bandas de BrasÃlia, saÃamos à s ruas em busca das eleições diretas, elegerÃamos um presidente após anos e anos de regime pesado e, mais tarde, o derrubarÃamos em um movimento que ficou conhecido como “os cara pintadas”. Pode-se afirmar que essa é uma geração que sabe o que quer e luta por seus ideais. Um dia vc tem uma mordaça, vai dormir, e acorda na manhã seguinte com alguém te dizendo que vc agora pode falar o que bem entender e fazer tudo o que tem vontade. Lembro-me de uma frase do Caceta e Planeta: “Liberdade é passar a mão na bunda do guarda”. E assim crescemos debochando de tudo, mas com a base sólida dos nossos colégios e famÃlias no coração e na mente.
Mas, voltemos ao Colégio Catarinense (CC) dos anos 80.
Entrei no CC na 5ª série do ginásio. Era assim que chamávamos naquele tempo, que não faz tanto tempo assim. Isso foi em março de 1979, há exatos 31 anos.
Pisei na minha sala de aula pela primeira vez para assistir a uma aula de Educação Moral e CÃvica com a professora Nanci de Britto. Esta matéria era quase como ensinar aos brasileiros o que é patriotismo, as regras em relação ao hino nacional, bandeira, etc. Mas o mais interessante não foi isso, mas sim o fato de termos que esperar do lado de fora da sala de aula até o professor chegar. Ele entrava primeiro, e na sequência dizia: podem entrar! Nós entrávamos em SILÊNCIO, Ãamos aos nossos lugares e permanecÃamos em pé. Então o professor dizia: “Em nome do Pai, do Filho e do EspÃrito Santo”, respondÃamos em voz alta após o sinal da cruz: “AMÉM”. E então sentávamos e a aula começava dali. Ao seu término, batia o sinal. PermanecÃamos sentados até que o professor autorizasse nossa saÃda. E assim eram as 5 aulas diárias nas manhãs do CC. Ao final da 5ª aula, saÃamos pelos corredores até o pátio central e depois pra rua.
Raras eram as brigas, mas quando tinha alguma todos desciam as escadas gritando “porradaaaa, porradaaaa”… era um tempo em que a maioria das brigas nem chegava à s vias de fato, e a turma do “deixa disso” tinha moral. Nosso maior prazer era o esporte. Todos, ou a maioria de nós, jogávamos futebol de salão ou de campo, handebol, basquete ou vôlei, e alguns praticavam atletismo. Passávamos o dia todo praticamente dentro do colégio, e ao final do dia retornávamos pras nossas casas cansados e saudáveis. Hj em dia, são lutadores profissionais, os “pit-boys”, que passam os dias nas academias de Jiu-Jitsu e muay tay aprendendo a dar porrada talvez pra provar uma duvidosa masculinidade. Batem por bater… matam por matar… colocam fogo no Ãndio… estupram uma menina de 13 anos porque ela não quer namorar o amiguinho deles… e assim caminha essa humanidade.. besta, medÃocre, drogada, perdida.
Drogas, vÃcios… claro que existia… mas a diferença era o medo.
TÃnhamos medo das drogas e não gostávamos de drogados. Logo os rotulávamos de “maconheiro” e eram excluidos do grupo pelo “mal comportamento”. A descoberta de que um dos alunos fumava cigarro já era motivo pra que saÃsse do time de futebol e ficasse com “má fama”. Nossos pais eram o que chamávamos de “velhos quadrados” e nos achávamos o máximo, mas quando um professor, policial ou qualquer autoridade dizia “chega”, sabÃamos que ali estava nosso limite.
O que mudou?
Mudou que não soubemos mais impôr limites aos filhos.
Somos a geração que trabalha mais do que fica em casa… que compensa a ausência com “presentes” ao invés de “presença”… que nunca diz não com propriedade… que não limita nada… nem tempo, nem espaço, nem condições… e se o fazemos somos “maus pais”.
Hoje em dia amigos, pai que educa é pai ruim… pai que limita é castrador… pai que pune é violento… e estamos criando MONSTROS.
Lembram da música da Legião Urbana? “Nos perderemos entre monstros da nossa própria criação”. Essa frase do Renato Russo cabe na nossa realidade como uma luva.
Estamos criando e não estamos dando conta de ver crescer… temos medo dos filhos… mas medo de que? De perdê-los? De perder seu amor? De não sermos respeitados? MEDO DE QUE???
Se temos esses medos, então somos os covardes responsáveis por esses seres humanos bizarros e animalescos que matam por matar, que acreditam na impunidade, que se escondem por trás de pais que se juulgam poderosos e acima da lei. Até onde permitiremos que isso vá?
Amar um filho é ensinar limites, é educar!!!
“Quando eu era menino, falava como menino, sentia como menino, discorria como menino, mas, logo que cheguei a ser homem, acabei com as coisas de menino.” (CorÃntios 13:11)
Onde afinal fica o inferno?
Por onde anda o amor?
Onde está a geração que sabe o que quer e luta por seus ideais?
Onde está a geração das Diretas Já?
Meu Deus, cadê os CARA PINTADAS???

Socorro! Ultra Man, Jaspion, Ultra-Seven, Robô Gigante, Vingadores do Espaço, EspectroMan… os monstros estão chegando, e não estão atacando Tóquio, mas sim nossas casas!!!
Acordemos e lutemos, o mundo dos homens ainda pode ser salvo!
CAIO SALVINO